À Maria Aparecida Cortiz, sobre as urnas-e

Cara Maria Aparecida Cortiz, não sou inimigo dos que tentam devassar as urnas eletrônicas ou questionam o sistema eletrônico de votação. Há méritos nos que estão querendo aprimorar a segurança da votação, garantindo ainda mais firmemente que a vontade dos eleitores seja preservada. Não comungo, entretanto, com uma certa teoria da conspiração defendida por alguns, que apontam a existência de uma ditadura eleitoral sem, contudo, apontar o nome do ditador. Seria o Tribunal Superior Eleitoral que teria se apropriado da nossa democracia, escolhendo os nossos representantes? Humm, se essa é a tese, parece-me indigna em sua falta de consistência empírica. Olho para Carlos Ayres Britto e não consigo ver um homem desonesto ou um ditador, por mais que me esforce em aceitar a lógica dos conspiradores.

O chamado "Caso Alagoas" foi construído sobre meias verdades. Vou postar aqui o julgamento do TSE, com as respectivas sustentações orais. Semana que vem estará aqui para uma análise dos interessados em Direito Eleitoral.

O que o julgamento do TSE deixou claro, e por isso você foi com o Brunazzo pedir auxílio à OAB, é que não mais se tolerarão ações eleitorais questionando o resultado das urnas com base em pareceres vazios e em conclusões sustentadas em premissas ocas. E esse resultado firme do TSE, inesperado para muitos, não interdita o questionamento democrático às urnas-e, mas põe fim às ações que tentam macular o resultado legítimo de uma eleição concreta, alimentando o choro de perdedores.

A democracia é séria e deve ser tratada com respeito. Não se pode deixar sob suspeição um processo eleitoral concreto em razão de meias verdades, como ocorreu em Alagoas. E por isso, ao revés de estar preocupado, sinto-me feliz com a minha contribuição à democracia brasileira, restabelecendo a verdade do que ocorreu em Alagoas em 2006.
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