"Condutas vedadas aos agentes públicos" é falso moralismo, segundo Lula.

O discurso do PT, quando oposição e antes da sua chegada ao Planalto, era de defesa intransigente da ética na política. Defendia toda a sorte de limitações ao agir administrativo sempre que este significasse algum tipo indireto de vantagem política aos partidos do governo da época. A Lei nº 9.504/97, criando as hipóteses de condutas vedadas aos agentes públicos, foi editada sob Fernando Henrique Cardoso, com a sua defesa intransigente pelo PT, ao argumento - correto, diga-se de passagem - que a reeleição trazia um desequilíbrio ao processo eleitoral e que seria necessário criar limites ao uso do poder político, evitando em anos eleitorais o desequilíbrio do pleito. Para Lula, na condição de presidente da República, agora tais medidas são produto de moralismo e hipocrisia. Um bom sinal, ao menos, de que a lei limita de fato os excessos do poder público em ano eleitoral, suavizando o desbragado abuso de poder que alguns terminam por cometer em período eleitoral.

Atualização (em 08/06/08)
Dora Kramer, em sua coluna no Estadão de hoje, fez o seguinte comentário:
Moral e cívica
Tem certas horas em que não há como negar ao presidente Lula a condição de pioneiro na história do Brasil. Realmente, nunca antes neste país se viu presidente algum discursar contra o rigor das leis. E de forma sistemática. Quando a legislação se põe no caminho da sua vontade, pior para a legislação, que leva logo um tranco.
Sexta-feira meio sem assunto para um governo indiferente à central de infrações instalada logo ali na Casa Civil, no andar térreo do Palácio do Planalto, o presidente Lula resolveu de novo investir contra a Lei Eleitoral porque a partir de julho está por ela impedido de assinar convênios e liberar dinheiro novo com palanque e platéia, durante três meses.
"A eleição neste país, ao invés de consagrar a democracia, faz quem governa ficar sem governar porque o falso moralismo parte do pressuposto de que assinar contrato com o prefeito é beneficiar o prefeito. É o lado podre da hipocrisia brasileira", disse o presidente.
Tradução: eleição atrapalha, balizamento legal é farisaísmo, moral é coisa de gente hipócrita, ao presidente da República compete apenas assinar convênios e, sem eles, o governo pára. Em matéria de educação cívica, é de pedir às crianças que saiam da sala.
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